A Eclo, uma empresa portuguesa de I&D+i anuncia o lançamento comercial de um sistema que permite avaliar o desenvolvimento da resistência do betão em obra e em tempo real. A posse desta informação permite à indústria da construção civil poupanças significativas em tempo e dinheiro, na medida em que possibilita acelerar, com segurança, o planeamento convencional ao mesmo tempo que contribui para uma melhoria do Controlo de Qualidade.

Os métodos convencionais para avaliar a resistência desenvolvida pelo betão envolvem ensaios de provetes que representam a estrutura real ou então tabelas de tempos obtidos empiricamente. Qualquer um dos métodos não representa correctamente a evolução real da resistência da estrutura. Isto, conjuntamente com motivos de segurança, leva a que se efectuem estimativas conservadoras que penalizam o andamento dos trabalhos.

Com a utilização deste sistema os responsáveis de obra passam a dispor de informação sobre o desenvolvimento da resistência do betão, informação esta da maior importância na medida em que lhes permite tomar decisões sobre vários aspectos:

- Momento oportuno para a descofragem;

- Programação de operações de pós-tensionamento;

- Cortar juntas;

- Remoção de protecções contra elementos atmosféricos adversos;

- Programação da entrada em serviço de uma estrutura.

A fundamentação científica do sistema tem por base o Método da Maturação do betão, comportamento que já é conhecido desde o início do século passado e que tem sido profundamente estudado desde 1950. Na prática, implica a monitorização do histórico de temperatura do betão obtendo-se o valor da resistência desenvolvida através de modelos matemáticos. A “American Society for Testing and Materials” (ASTM) publicou em 1987 a primeira versão de uma norma sobre a aplicação prática da avaliação da maturação do betão, validando a sua utilização em obra.

“Este sistema permitirá à indústria da construção civil poupanças de tempo e dinheiro que serão tanto maiores quanto a dimensão da obra. Imagine-se o que significa poder antecipar, com segurança, vários dias ou semanas ao planeamento de uma obra, diminuindo tempos de paragem, custos com aluguer de material, equipamento e mão de obra”, refere José Simões, Director de Desenvolvimento da Eclo. Acrescenta ainda que “nos Estados Unidos e Brasil já são utilizados sistemas semelhantes desde os anos 80 e 90, o que comprova a utilidade e vantagens na sua utilização. Inclusivamente, a obrigatoriedade em utilizar estes sistemas para Controlo de Qualidade e planeamento faz mesmo parte dos cadernos de encargos tipo do Departamento de Transportes dos EUA.”

O know-how e a tecnologia da Eclo permitiram-lhe desenvolver este sistema com aplicação numa área praticamente inexplorada e não divulgada na Europa. José Simões comenta que ”não há razão para que estes sistemas não comecem a ser utilizados também deste lado do Atlântico. Sobretudo porque já têm provas dadas e proporcionam, de facto, vantagens operacionais e competitivas às empresas que os utilizam.”

O sistema consiste em sensores autónomos que são colocados dentro da estrutura de betão e ai permanecem. A informação necessária à avaliação da maturação do betão e da resistência desenvolvida é obtida através de um software de análise de utilização bastante intuitiva.